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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os Gatos e a Literatura 2 [O Gato de Botas]

Caríssimos, tenho sido cuidadosa e astuta como um gato o faria ao falar sobre O Gato de Botas, até andei pensando além da conta sobre esse queridíssimo felino. Perceberam como estou sendo até superlativa?, é porque não se trata de um gato só querido, simpático, elegante, carismático e sim de um gato escolado, furtivo, pretensioso, astuto, genial, ligeiramente frágil e extremamente objetivo. Há que se ter cuidado ao falar d`O Gato de Botas, pois ele tem uma legião de fãs.
Como sou observadora e crítica, fui dar uma volta na www. e vi que estaria cometendo um pecado mortal ao querer incriminar O Gato de Botas. Por quê? Porque todos falam bem do gatinho. Mesmo assim começo o desenrolar de meu pequeno estudo, salvo claro, estou falando de um ser de ficção. Tal qual, tudo ocorreu em ficção. E para início, sabe-se que o gato fez parte de um conjunto de uma herança deixada pelo pai aos 3 filhos. Coube ao mais novo o gato. O que o filho mais novo falou sobre o gato, ainda é sigilo.
O gato, esse animal dócil e gentil, viu seu dono chateado e muito ponderado falou: " Não se aflija, meu amo, basta que me dê um saco e mande fazer para mim um par de botas para que eu possa andar pelo mato, e verá que o pedaço que lhe coube na herança não é tão mal assim."(p.51)
E assim o dono fez, o gato ficou a criaturinha mais linda, e tão prestativo a seu dono, é bem verdade que o gato andou passando dos limites como suas novas botas. Ele matou pela primeira vez sem misericórdia, pela segunda vez e muitas outras. Inventou mentiras. Fez favores. Recebeu gratificações. Mas tudo era por uma boa causa, dizia ele convencido de que era isso mesmo. E também chegou a ser conselheiro de seu "amo", que agora o gato o chamava de "Marquês de Carabá", um título e um nome que apareceram de veneta na cabecinha do Sr. Gato, como disse, há que se ter respeito por um gato assim. Disse o Sr. Gato: "Se quiser seguir meu conselho, sua fortuna está feita; basta que vá se banhar no rio no lugar que lhe mostrarei. E deixe o resto por minha conta."(p.53) rsss.
Bom, o agora marquês de Carabá estava apaixonado devido "aos conselhos do Sr. Gato" e tendo uma sorte tremenda, pois a filha de um Rei das redondezas, o qual o gato andava mostrando toda astúcia e sutileza, também estava retribuindo olhares. Mas o gato não estava de todo feliz, ele havia traçado objetivos, então fez o teatro, dramatizou, planejou, ameaçou e ameaçou as gentes pela segunda vez e também iludiu. "Garantiram-me, disse o gato, que você tem o dom de se transformar em todo tipo de animal, que é capaz, por exemplo, de se transformar num leão ou num elefante. É verdade, respondeu o ogro bruscamente. Para lhe dar uma amostra, vou me transformar num leão."(p.55)
O gato deve ter pensado uma infinidade de coisas sobre o ogro, porém com tanto medo do inesperado e talvez, o malvadinho testando suas delicadas unhas retráteis ainda disparou o inimaginável: " Garantiram-me ainda, disse o gato, mas não pude acreditar, que você também tem o poder de tomar a forma dos animais mais pequeninos, que pode se transformar por exemplo num rato, num camundongo. Confesso que isso me parece totalmente impossível. Impossível? - replicou o ogro. Veja só. E no mesmo  instante se transformou num camundongo que se pôs a correr pelo assoalho. Quando viu isso, o gato se jogou em cima dele e o comeu."(p.57) Seria melhor dizer: o matou, mas não vamos acabar com o glamour do Sr. Gato, mas fome é que ele não tinha. Queria mesmo era o castelo do ogro, dar ao seu amo e serem ricos para sempre. Dessa forma, " O marquês deu a mão à jovem princesa [...] aceitou a honra que lhe fazia o rei; e naquele dia mesmo casou-se com a princesa. O gato tornou-se um grande senhor e passou a só correr atrás de camundongos para se divertir."(pgs.57-58).
Esse conto é do escritor francês Charles Perrault, publicado em 1697. Charles Perrault foi funcionário do governo de Luís XIX e responsável pela escolha dos arquitetos que projetaram o Palácio de Versalhes e o Louvre!
Mas o que o gato ouviu que ficou em sigilo?
Todos os verbos que o gato usou nesse pequeno estudo sobre a personalidade dele o incriminam. Ele fez tudo o que podia e não podia para agradar seu amo e a si próprio. Mas como foi citado no início, pura ficção. É verdade, ele roubou, mentiu, iludiu, ameaçou, etc, etc....mas matar, só matou perdizes, coelhos e camundongos. Diante de tal evidência e mais a fala de seu recém amo: "Meus irmãos, dizia, poderão ganhar a vida honestamente trabalhando juntos. Quanto a mim, quando tiver comido o meu gato e feito luvas com sua pele, só me restará morrer de fome."(p.50), fica O Gato de Botas, depois de ouvir tal barbárie, livre de qualquer acusação!
O livro que cito as passagens do conto é uma Antologia de Contos: Tradução Maria Luiza X. de A. Borges.
O Gato de Botas  no cinema - 2011 [mais uma das milhares releituras, vamos conferir].

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Iron Maiden - Fear of the Dark

É bem verdade que eu tenho ido a poucos shows, ou muito menos do que eu gostaria de ir. Muitas vezes o conforto de casa, o show que passa no canal pago, ou, pra falar bem a verdade, a chateação do trajeto, as longas filas até os portões se abrirem e, não fosse isso, tem ainda a espera até que nossos ídolos pisem no palco, lá se vão horas e horas, para alguns, dias e dias. Muitos shows você deixa escapar como areia por entre os dedos porque não ficou ligado ou nem imaginava que sua banda preferida faria um show ali, bem ali onde você também estava. Foi o caso do Pearl Jam, fizeram um show em uma cidadezinha da Califórnia, a qual eu me encontrava, e perdi por distração. E o que eu posso dizer quando o Placebo tocaria em Paris no dia em que eu iria embora?, a única imagem que me restou foi a mega propaganda da banda dentro de um dos túneis do metrô de Paris.
Mas, também não posso me queixar, os shows que eu fui, gostei muito, os nacionais gostei demais e falarei em uma outra ocasião. Agora, o que eu quero falar mesmo, foi do show que fui em Curitiba, 2011, do Iron Maiden. Peguei pesado?, é que eu também gosto de Heavy Metal...hehehe. Sou eclética, bem verdade, mas existem muitas razões para eu gostar do Iron Maiden. Folder do Cd Powerslave:

O Iron Maiden sempre foi uma banda atípica, enquanto as bandas [nem todas] desse gênero faziam letrinhas de lugar comum, o Maiden sempre fora especial, a começar pelo nome: um trocadilho de Donzela de Ferro, um instrumento de tortura medieval em formato de sarcófago, e ai você até pode ver esse instrumento no filme O Homem da Máscara de Ferro, de Alexandre Dumas para o cinema.
Steve Harris é o homem que conduz tudo com mãos de ferro, líder e baixista da banda, criou o Maiden em dezembro de 1978. [Dos integrantes, foi uma voracidade rotatória, que nem vou discorrer sobre os componentes]. Faço, lógico, uma pausa para falar de Clive Burr, baterista que ficou doente [esclerose múltipla - a banda Iron Maiden fez turnê para arrecadar dinheiro para o tratamento de Clive Burr] e teve que deixar a banda e Paul Di´Anno, muito pra lá de punk, admirador de Sex Pistols e The Clash, nada que Steve Harris gostasse, mas com um vocal que mixava o punk e o metal e fazia surgir um novo movimento, porém Paul o que tinha de brilhante, tinha de autodestrutivo, abusava de álcool e outras drogas até que Steve mostrou o caminho da rua e o dispensou. Não falei que o Steve é o cara da mão de ferro?, e é assim mesmo que funciona. Olha o Steve ai.

O Maiden está há 30 anos na estrada, a formação atual [Steve, Bruce,Dave, Adrian,Nicko e Janick] é super competente, são perfeccionistas, não há boatos em torno da banda sobre vícios. Suas letras são inteligentes, falam de cultura em geral, de literatura, principalmente, a inglesa. História e história egípcia são temas que Steve, um autodidata, se dedica, e o vocalista Bruce Dickinson é formado em História, está ai o porquê de letras tão boas e marcantes. Se já não bastasse, Bruce é o piloto oficial da banda...hehehe...sim, ele pilota o Boeing 757 Iron Maiden, sorry, mas o Maiden tem um Boeing 757,chamado Ed Force One, pintado como o logo da banda e na traseira o Mascote Eddie Múmia, da World Slavery Tour, [a maior, cheia de pirâmedes, sarcófagos, múmias e esfinges] estampa o naipe do avião, que aonde chega deixa os fãs enlouquecidos, fora que é um luxxxo só ter um avião só para a banda e ainda pilotado pelo vocalista. Ah, tá.

Atualmente, mudaram o design do 757, está com a cara da Tour The Final Frontier 2011
Sim, mas é só isso?, vocalista é piloto?, não! Ainda somam-se letrista, compositor, escritor, roteirista, egiptólogo, título internacional em esgrima, ou seja, não é só um hobbie, tá certificado, piloto profissional de uma companhia aérea, radialista na BBC e também apresentador do Discovery Channel sobre aviação.

Falei do Iron Maiden, essa banda inglesa, no geral, mas impossível não se dedicar no teclado um pouco mais sobre Steve e Bruce.
E a música escolhida para compartilhar é Fear of the Dark, do show de Curitiba. Eu  e o Giovani escolhemos nossas camisetas, ele com a da Tour The Final Frontier  e eu com a do Powerslave custumizada por mim, sou super fã do Powerslave. Estávamos lá no meio...rss [Scream Cuuriitchiba, na voz do Bruce]

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Companhia


O porta-retrato, o vaso de flor.
Estranhamente sentada em um lugar que não era o dela, como o de costume, aos pouquinhos ia tomando café na xícara que era para ser de presente de Natal para alguém de sua família. O desenho era natalino, a cor vermelha, o azul noite e os pontinhos luminosos brancos caindo e deixando o chão neve. Parecia estar frio ali, mas o café quentinho tirava a ideia do frio, até da solidão.
A segurança sempre fora ponto essencial na vida. O estranho sentimento de estar sendo sempre observada, muitas vezes a incomodava, outras não.
Estava com uma certa tontura, talvez o cansaço, ou a ansiedade. Embrenhava-se em pensamentos de querer ser completamente alguém que habitava seu ser. Sim, este ser quase sempre era observador, inquieto, relutante... Mas, hoje estava apenas confuso. Assim como era olhar para a toalha de mesa toda quadriculadinha em preto e branco.
Pensava como aqueles quadrados, unidos lado a lado, ora eram a mistura de todas as cores, ora eram a ausência delas. E a toalha fazia-se longa e descia pela mesa e seus quadrados unidos, sempre solidários.
As cadeiras eram seis, formavam pares. E as pessoas imaginadamente ali sentadas? Formavam pares também.
Essencialmente tudo ali formava pares - os quadrados, as cadeiras, as pessoas. Mas, a mesa não! Aquele retângulo a acolhia, fazia-se necessário, era uma companhia.
De súbito, as paredes ficaram enormes, e o chão era quadriculado e também formava pares.

A Noz vista como Nós


Uma noz é como um cérebro, por que não estudá-la? Talvez todos os mistérios da vida estejam bem pertinho de nós.
Parte a casca, a calota craniana, da noz. Vê? Dois hemisférios com suas reentrâncias, veios, partes. – Vejo o cordão neural. Viro a noz e admiro a partezinha onde se encontra o cerebelo. Aí está! – Tenho o cérebro em minhas mãos. Posso decifrá-lo! De punho fechado, estou seguro. Presente, passado e futuro a mim pertencem.
Meu desejo é fatiar a noz, fico racional. Cada parte para o seu devido sentimento. Escolho para a dor um pedaço bem pequenino, afinal, se ela deve existir, que seja só em doses homeopáticas. A parte da razão?, parece estar maior do que deveria.
A certeza! Essa faço questão que seja a maior. A esperança subsequente. Paz, caridade, perdão. Deixo uma parte logo para o amor , gratidão, respeito.
Sobram fragmentos pequenos para os sentimentos ruins. Acho melhor deste jeito. Infelizmente eles ainda existem, mas que sejam os ínfimos.
Como disse, o da razão é de bom tamanho. Cá estou dividindo, somando e achando que tudo pode ser racional. Ou real?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sapatinhos da Dorothy faz Homenagem

Acabamos de fazer 2 meses com o blog, mais de 5.000 visitas, saudamos o Brasil, nossa Língua Portuguesa e, não fosse isso, somos lidos em outros países, o que muito nos orgulha, aleatoriamente, saudamos: Portugal, Angola, Japão, Dinamarca, Romênia, Espanha, Turquia, Panamá, Reino Unino, Estados Unidos, Itália, Suíça, Rússia, Luxemburgo, França, Alemanha, Ucrânia e Noruega.


Sapatinhos da Dorothy pelo Mundo - Sigam-nos

sábado, 25 de junho de 2011

The Bell Jar - A Redoma de Vidro

Abro esta crônica com a capa do livro A Redoma de Vidro, esta é especial para mim, pois trabalhei com esta edição e, por gosto meu, acho a capa mais linda de tantas que existem espalhadas pelo mundo, as quais foram traduzidas em diversas línguas. Esta é de tradução de Beatriz Horta. E a cada novo parágrafo ilustrei com capas de The Bell Jar, de Sylvia Plath.

The Bell Jar ou como uma das traduções A Redoma de Vidro, o próprio título do livro, essa redoma, é o objeto que protege, que mantém seu protegido sob a curiosidade alheia e o exclui. A autora metaforiza essa redoma como uma espécie de aprisionamento do sujeito, um descontentamento em relação ao próprio “eu” da personagem.
Quando se fala de The Bell Jar , a crítica especializada, salvo!,sem generalizar, o rotula como um romance autobiográfico, confessional devido a muitas passagens coincidentes entre o que a autora viveu e o que está na narrativa, diga-se, as tentativas de suicídio, a brilhante aluna que recebe bolsas, a editora de uma revista de Nova Iorque, o desgaste mental, as clínicas psiquiátricas entre outros acontecimentos que Sylvia Plath vivenciou e que transferiu para sua protagonista Esther Greenwood no romance.
O fato é que Sylvia o cunhou como um romance de ficção. E acredito que a palavra do autor deve ser levada em consideração. O mais importante é que Sylvia abordou temáticas diferenciadas para a época, por essa razão o livro se torna tão importante. O grande legado do romance de Sylvia foi anunciar alguns temas tabus que faziam, principalmente, jovens e mulheres se sentirem mais abertos aos assuntos inseridos na trama para se desdobrar na realidade desses leitores.
Sylvia, em The Bell Jar, explorou muito bem os ritos de passagem, a formação da personalidade do indivíduo, como também, uma vez formada, essa personalidade se deteriorava mentalmente, ou se dividia em outras personalidades, daí a dupla personalidade, um desvio, algum tipo de transtorno mental. Sylvia também contesta a univisão feminina da década de 50, onde a ascendência do feminino acontecia sob a forma de cursos para moças e iniciação ao casamento e posteriormente, a ser a dona de casa perfeita e mãe como consequência. O romance rejeita esse modelo de feminilidade e a tradição casamento/família. Se a sociedade havia criado seus costumes, o romance os descontrói. As expectativas dessa mesma sociedade romantizavam e glamourizavam os relacionamentos, homens e mulheres deveriam experimentar o romantismo, o que Sylvia mostra totalmente ao contrário na narrativa, sua personagem só encontrou hipocrisia, a brutalidade dos homens ou as desconfianças dos mesmos para com as mulheres, o que gerava todo um desconforto físico e crescente ao desgaste mental.
É desta forma que Sylvia faz soar em sua narrativa a campainha emergencial para a problemática feminina, ou seja, a mulher está presa em departamentos, ou é aluna brilhante, ou a esposa dedicada, a mãe perfeita ou a mulher submissa, sob sua ótica a mulher está sempre entre a polaridade de virgem ou prostituta, nunca a mulher em sua plena satisfação, seja como indivíduo ou em relação à sua sexualidade. O vazio de expectativas e o grito da convencionalidade da mulher americana caem por terra no romance. Sylvia prefere a pluralidade feminina, as várias identidades em uma só mulher.
O que salta do romance é a observação meticulosa que a autora faz sobre as instituições médicas ou psiquiatras, seria a eterna crítica, a narrativa informa os ambientes hostis, os médicos soberbos que são incapazes de saber ouvir a protagonista, que se submete a vários tratamentos insatisfatórios e dolorosos, a falta de sensibilidade dos médicos homens com pacientes mulheres, até mesmo o que Esther não acreditava existir, mulheres psiquiatras. Sylvia chama a atenção no romance sobre as terapias duvidosas, desumanizadas e, sobretudo, para a terapia de eletrochoque, que por um lado fazia com que sua Esther se esquecesse de coisas ruins ou que não usasse o corpo para automutilação, mas que por outro lado esvaziava sua mente e colocava sua inteligência à margem daqueles que não fazem mais parte da sociedade “sadia”.
Sylvia enriquece a narrativa dentro de seu ponto de vista como mulher, nem tudo é cinza ou sombrio, há também suas cores solares, a ironia, a graça, as sutilezas e humor ácido também pelas circunstâncias da época em que escreveu o romance. Foram vários olhares, centralizados e periféricos. Uns mais voltados para vários personagens, mas claro que o olhar centralizador é para Esther que transita na corda bamba, na ponte pêncil, no trampolim que, vez ou outra, a lança para dentro e fora dessa redoma!


Sandra Puff

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Richard Ashcroft [The Verve] Break the Night with Colour & Love is Noise

O Richard é desses caras que sabe onde pisa e sabe o que faz, esse londrino, primeiro, destacou-se na banda The Verve, nem precisava escolher nome melhor. Letrista, cantor, pianista. É o cara!, depois que o The Verve resolveu terminar, mais pela vontade do guitarrista da banda, que não vem ao caso agora...hehehe. Richard sempre se deu bem com os músicos do Cold Play, até participou do Live 8 e, em vários Festivais, como o Coachella.
O fato é que o The Verve ou Richard Ashcroft, agora, sempre flutuou entre o britpop, rock, música eletrônica e soul music, demais!
Nesse post tem Break  the Night with Colour com tradução pra sentir a letra e o compositor, lógico gravado em Abbey Road Studio.
E, em seguida, Love is Noise, um clipe lindo que fala que o amor, literalmente, é barulhento em todos os sentidos. Mas tem dois versos na letra que diz que " Em tempos modernos os pés irão calçar sapatinhos feitos na China".....entendeu?, Sapatinhos...e, além do mais o clip é lindo, tem uma parte pin up retrô, meio vintage, com ares moderníssimos, isso, superlativo!. É isso mesmo. Mr. Richard...


And Mr. Richard...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Os Gatos e a Literatura 1 [Cheshire]



Na  Literatura nonsense de Alice no País das Maravilhas , a menina fica muito espantada com a presença repentina do gato Cheshire, que tem a capacidade de [des] aparecer quando quer. O gato nos move à possibilidade de ele ter sósias.
"O gato apenas sorriu quando viu Alice. Parecia de boa índole, ela pensou, mas não deixava de ter garras muito longas e um número respeitável de dentes, por isso ela sentiu que devia ser tratado com respeito. [...] Que tipo de pessoas vivem por aqui? - Nesta direção, disse o gato, girando  a pata direita. [...]
-Visite quem você quiser, são ambos loucos. - Mas eu não ando com louco, observou Alice. - Oh, você não tem como evitar, disse o gato - somos todos loucos por aqui. Eu sou louco, você é louca. - Como é que você sabe que eu sou louca?, disse Alice. - Você deve ser, disse o gato, senão, não teria vindo para cá. [...] Você me verá por lá, disse o gato e desapareceu. [...] Enquanto ainda estava olhando para o lugar onde o gato tinha estado, ele, de súbito, reapareceu. [...] Como pensei, disse o gato e desapareceu de novo". p.84-86.
Do Livro: Alice no País das Maravilhas, de Charles Lutwidge Dodgson - Pseudônimo: Lewis Carrol

Os Gatos e a Literatura


Vamos falar de Gatos?
Charles Baudelaire ao fazer um poema chamado Cats demonstra afeição ao gato, animal místico em seu olhar, assim o cita. O gato é por excelência introspectivo, astuto, dinâmico, silencioso e também uma companhia. Os felinos, em geral, são adorados assim como os cães. São inúmeras raças, coloração, pelagem e histórias, superstições ou crendices a respeito do gato, em particular, ao gato preto.
A França é famosa pelos seus gatos pretos, conhecidos como “Chat Noir”, a figura de um gato preto, inspirados por Edgar Allan Poe e Baudelaire, foi a inspiração na Art Decó, o qual faz parte da cultura francesa e o nome de um cabaré famoso, chamado Chat Noir, o artista Théophile-Alexandre Steinlen estilizou em um pôster publicitário o gato negro que ainda hoje é comercializado em postais, quadros e outras lembranças de Paris.


Porém, nem sempre foi assim. A França adquiriu um hábito sinistro no século XVI, na festa de São João era costume reunir uma ou duas dúzias de gatos vivos, colocá-los em um saco numa forca e queimá-los vivos.
O misticismo em torno do gato preto já decorre do tempo dos egípcios. Eram adorados e mumificados devido a sua grande importância nesta civilização. Na mitologia egípcia o gato assume a forma de uma deusa no nascimento de Ísis e Osíris, Geb e Nut, entidades representativas da Terra e Céu, pretendiam se unir, e esse acontecimento contou com a inspiração de uma deusa felina.


Os gregos não lhe deram importância. Na Pérsia acreditava-se que ao maltratar um gato preto, o homem estaria maltratando a sim mesmo. O gato preto está relacionado a várias superstições e crenças, e associados a diferentes tipos de sortilégios.
Foi na Idade Média que o gato preto é perseguido por acreditarem que eram feiticeiras, bruxas transformadas no animal, nesse período também relacionaram que, se o gato fosse preto, o mesmo trazia azar, era diabólico e tinham relações com seres do mau.


O gato tem hábitos noturnos, vagam e habitam uma esfera mística na noite, seus olhos misteriosos e atentos sinalizam uma frieza, fitam intensivamente e furtivos o que lhes interessa. São auto-suficientes, na maioria das vezes ignoram os donos, estes o procuram para afagos e não o contrário como os cães.
Podemos dizer que o gato é um narcisista, está sempre se lambendo, limpando seus pelos, passam uma imagem elegante e longilíneos e parecem que o sabem que são belos, sutis e sofisticados. Considerados ambíguos, demonstram pensamentos secretos, sinistros e estão sempre de guarda ou à espreita. É um ser atemporal, viajante no tempo.


Foi com Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe que readquiriram o prestígio dos tempos egípcios. Seus movimentos insinuantes e o brilho de seus olhos penetrantes na noite fazem dele uma personificação do mal com poderes sobrenaturais. Os gatos pretos, ou claros em minoria, estão associados a superstições, crenças populares, a bons ou maus presságios, à sorte, a pessoas doentes ou moribundos, à vida após a morte, toda espécie de bruxaria, tumbas e uma lista variada dentro de cada cultura.
O gato é o animal dos sentidos apuradíssimos e sempre estará nessa polaridade entre o bem ou o mal.
Por isso, vamos aqui, dar créditos aos gatos, tendo eles a personalidade que tiverem, ou tendo essa mística ou não envolto a eles e brindá-los com alguns gatos importantes da Literatura. Começamos com o gato de Alice e segue a lista.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Adele: Jazz Session & Soul & Rock & Blues


Amigos, não serei nada literária, seria musicista se assim me fosse permitido, mas percebe o verbo, se fosse, o modo subjuntivo, irreal, logo sou uma admiradora da boa música, uma jazz session, um blues, uma soul music, mas esses ritmos fazem parte da alma, sou uma modernista também, e adoro música e letra que me digam algo. Tenho interesse nos artistas que deixam suas marcas na história e não desmereço aqueles que bebem da fonte boa. É o caso de Adele que se inspira no R&B, Rock Soul com nuances Jazzísticas intrinsicamente enraizada no Blues Elétricos fundado em Chicago.
A inglesa Adele já não é novidade [vide 2008], mas fica aqui um nome que não sairá fácil da minha lista. Veja, ao vivo e o clip.




segunda-feira, 13 de junho de 2011

Filmes & Livros & Music...


Olá, amiguinhos do blog Sapatinhos da Dorothy ....mamãe contou que tenho recebido vários elogios: -- Muitíssimo Obrigado, dessa forma sei o quanto somos amados!
Temos ainda mais leitores, dos países já citados em um dos meus posts anteriores, somam-se no Japão, Romênia, Rússia, Suíça, França e Luxemburgo. Nossas leituras, comentários atravessando oceano, aliás para a Literatura não existe barreira geográfica, limite de idade, tudo é e tão somente sabedoria nas palavras, sonhos nos textos, alegria para nossos sentidos! Foi mamãe quem falou.
Por isso, foi adicionado uma lista de Filmes, Livros e Music [diga-se artistas solos e bandas], pois um filme já foi roteiro, livros já foram palavras e músicas sempre terão letras, mesmo só as instrumentais são feitas de signos linguísticos.
Todos os itens dessa lista já foram vistos, lidos e ouvidos pela Sandra. Confira, se você já se identificou com algum filme, livro ou artista/banda, comente aqui. E a lista cresce....
Uma Boa Semana!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

U2 e Reeve Carney [Spyder Man]

Eu sempre gostei demais de U2, nunca vou esquecer a vez que ganhei de surpresa, não que eu goste de surpresas, aliás, sempre tive medo de surpresas, mas voltando, foi surpreendente e inesperado, ganhei ingressos para o Mega Show do U2 no Brasil, foi a primeira vez que apareceram aqui. Inesquecível.
Outro dia vi uma apresentação ao vivo na TV e o U2 deu o ar da graça, na verdade, Bono e The Edge e o que chamou minha atenção é que estavam acompanhados de um ator da Broadway, que interpreta o Spyder Man e também é músico, chamado Reeve Carney, achei demais de bom o trio. Divido aqui com vocês!




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Hanami - Cerejeiras em Flor


Cerejeiras em Flor, produção alemã e francesa, usa como pano de fundo o Japão e suas belas paisagens e porque não dizer suas belas floradas em épocas de sakura, a semana festiva que celebra a flor da cerejeira. Com um cenário e fotografia belíssimos o roteiro desenrola-se em torno do casal que mora na Alemanha e decide ir para Berlim. Após um fato que mudará a vida de ambos, um deles decide que é hora de mudar os planos, viajar, ir para o Japão, porém, um dos dois não sabe o porquê dessa viagem tão repentina e fora do usual.


Trata-se de um drama que nas mãos certas ganhou leveza, passagens humoradas. É um filme delicado, que vai além dos olhos e coração.

terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de Maio e o Fumo? [Grateful Dead]


"Assim que escrevia essa narrativa sobre o fumo, lembrei-me da banda Grateful Dead, estes estadunidenses, se valeram do nome da banda traduzido literalmente, "morto agradecido", de um conto do folclore inglês que narrava um viajante ao chegar em uma vila que depara-se com um cadáver, que há dias está em decomposição ao público do local e nada fazem, pois o mesmo em vida estava cheio de dívidas. O viajante toma a iniciativa de enterrá-lo e pagar as dívidas do mesmo e segue viagem quando é salvo misteriosamente, o viajante acredita ser o espírito do "morto agradecido"  [foi ai que lembrei da capa onde a banda usava um esqueleto fumante, paradoxal]


Dia 31 de maio foi designado Dia Mundial de Combate ao Fumo pelo Ministério da Saúde em reconhecimento à luta brasileira em combate ao tabagismo..[luta, combate], parece que estamos em um ringue, mas a metáfora é séria.
A cada dia cem mil jovens começam a fumar, a maioria em países pobres. Autoridades no assunto revelam que o tabagismo já é considerado doença pediátrica, uma vez que o vício começa cada vez mais cedo. As estatísticas mostram que são três milhões de fumantes de cinco a dezenove anos.
O indício de vício já acontece na primeira tragada, dizem os especialistas, e o Instituto Nacional do Câncer revela que a nicotina, princípio ativo no cigarro, age no sistema nervoso e chega ao cérebro em sete segundos, muito mais rápido do que outras drogas. [sem falar no alcatrão, monóxido de carbono, formol, amônia, naftalina, acetona, pólvora, xileno, fósforo, cádmio, acetato, methoprene, quer mais?].
Nas campanhas de combate ao fumo, o melhor seria dizer: "não comece a fumar". Infelizmente não é o que acontece e muitas crianças e jovens espelham-se nos pais e na sociedade, [não generalizo], o exemplo para serem os futuros fumantes.
Muitos adolescentes que são orientados por especialistas, procuram no esporte a saída para o vício, esta é a mais comum. Porém, há a necessidade de um maior investimento na orientação e educação, e que se faça a observação de que a nicotina funciona como um spray, pulverizando esta substância venenosa em todos os órgãos do corpo e não só no sistema cárdio-respiratório como é de costume informar.
Além de investimentos na educação, deve haver um aumento considerável no preço do cigarro e, sim um artigo de luxo danoso à saúde sua e minha,  a aplicação dos tributos devem retornar em programas de saúde e educativos.
A comunidade brasileira está movimentando-se nas campanhas anti-fumo, a Noruega foi o segundo país a proibir de vez o fumo, o primeiro foi a Irlanda e muitos outros estão impondo seus limites ao tabagismo. Apostemos nossas fichas, ou seria nossas vidas?

domingo, 29 de maio de 2011

Sapatinhos da Dorothy pelo Mundo



Olá, amigos queridos desse blog, acabamos de fazer 1 mês e alguns dias de aniversário do Sapatinhos da Dorothy, nossa intenção é pura e simplesmente levar leitura ao nosso leitor, e este é o melhor presente que podemos oferecer para contribuir com a cultura.
Agradecemos, pois, todos que nos visitam, todos que comentam, que colaboram com o blog. Nossa maior surpresa é que, estatisticamente comprovado, somos lidos no Brasil de dimensões continentais e também nos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Espanha, Panamá e Angola. Somos imensamentes gratos aos que gostam de leitura, de música, de viagens. Se você tem alguma sugestão para postarmos aqui no blog, envie para pingobentinho@gmail.com
Grande Abraço,

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Passeio ao Parque da Malwee


Olá a todos visitantes. A dica de passeio de hoje é o Parque da Malwee em Jaraguá do Sul, com um milhão e meio de metros quadrados, pouco?
Há dois caminhos para chegar partindo de Blumenau, um por Massaranduba, onde você precisa passar pela cidade de Jaraguá, o outro por Pomerode, que eu particularmente prefiro, pois não precisa atravessar a cidade. E o acesso ao parque fica na divisa com Pomerode, bem indicado por placas, ambos os caminhos levam cerca de 45 minutos para chegar.
A entrada ao parque é gratuita e livre para todos os visitantes, funcionários ou não da Malwee. A grandeza do parque observa-se já de entrada e você pode fazer o passeio, se preferir, de carro, pois há estradas contornando todo o mesmo. Passeio exclusivamente para ser feito em um dia de sol maravilhoso, e aproveitar todos espaços que o parque oferece.



O Parque da Malwee possui várias lagoas, muita natureza, com diversas plantas e flores, quiosques para fazer lanches ou até um belo churrasco (os quiosques são ocupados por quem ir chegando), dois restaurantes (1 típico alemão), ginásio de esportes, pista para caminhada e bicicleta rodeando todo o complexo do parque.



Durante o percurso com o carro, existem várias paradas com praças e estátuas contando a história do parque e exibindo arte.



Ótimo passeio para um contato com a natureza, piquenique e já citado, um churrasco. Vale a dica novamente: observar o lugar quando chegou para deixá-lo intacto novamente, a natureza agradece e os próximos visitantes também.


Maiores informações no site:
Como as férias estão se aproximando as próximas dicas serão de viagens.
Um abraço e até lá.
Giovani Puff

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Fonte de Vida [The Fountain]

Quem assistiu ao filme Fonte de Vida, do diretor Darren Aronofsky, o mesmo de Cisne Negro, com Rachel Weisz e o Hugh Jackman, lembra que a narrativa acontece em três planos, no presente [ele médico cientista que busca a cura da esposa], no passado [nas memórias das personagens em plena Espanha do século XVI] e no futuro quando o mesmo personagem de Jackman é viajante no espaço como um astronauta em pleno século XXVI. Os três momentos se interligam e as personagens são as mesmas. Tudo se converge na narrativa, inclusive a procura em desvendar os mistérios entre a vida e a morte e o renascimento.
Mas o que quero registrar mesmo é uma das músicas do filme, belíssima e com tons trágicos, assim como pede a história. Em princípio acreditei ser um amontoado de pessoas com vários instrumentos ecoando a magia das notas musicais, mas não!, o dono da canção é de uma simplicidade que fica um hiato aqui [   ] Lennon Aldort dedilha Death is the Road to Awe ao piano, ora delicadamente e simplista, ora trágico e rebuscado e ligeiramente, que se eu não o visse ali ao piano defronte à janela não acreditaria, e isso é para poucos, eu diria para os gênios. Pode ser que a melodia seja triste, mas como citei, a canção é trágica, só vendo para crer que pessoas tão habilidosas sejam tão jovens, é quase impossível de acreditar. Bom, mas essa é minha ótica. E a sua?, apenas não pare na metade, surpreenda-se!


terça-feira, 24 de maio de 2011

O Mistério do Autor e da Obra

Não generalizo, veja bem, mas muitos estudiosos da literatura esquecem ou ignoram que o autor seja humano, declarando que tudo trata-se de ficção ou biografia. A modernista Clarice Lispector em entrevistas dizia: "Narrar é narrar-se".
Se por um lado o autor de fato faz ficção, por outro desnuda-se de alma e cotidiano, deixando transparecer uma ou outra ideia do que poderia ser a realidade do mesmo. Já a grande maioria dos autores não falam, ou melhor, preferem usar a velha conhecida: " qualquer semelhança é mera coincidência".
Os críticos, os estudiosos da área devem ter a liberdade de fazer suas pesquisas de qualquer obra ou autor e ai entra explorar suposições, coletar dados, hipóteses até absurdas, tudo é válido no campo científico onde a premissa é o erro e o acerto, o erro e o acerto, certo?, mas é imprescindível que reflitam sob este aspecto do autor ainda ser "humano" e de ser muitas vezes seu próprio personagem. Não aceitar a ideia de que o autor narre sua própria vida, vez ou outra seus costumes e etc., é comprometer os avanços de estudos literários e, [poderia dizer o mesmo no campo das artes, diga-se mestres da pintura, mas ai é um outro departamento]  possivelmente não olhar para o autor como um "todo", fazê-lo fragmentado ou ainda prendê-lo em departamentos, ou seja, o autor pode deixar de existir e restar a obra ou o contrário, matamos a obra e falamos somente do autor.
Sem dúvida o ser humano é dual, é como o sol e a lua, ora tem seu lado obscuro [dark side of the moon, Pink Floyd que o diga!], ora é luminoso e mostra-se em sua totalidade.
Lembremos a vida de Gustave Flaubert e sua Madame Bovary, a Ema, protagonista que causou escândalo e custou processo judicial ao autor porque atacava a moral burguesa da época, e logo para a defesa do autor/réu, Flaubert usou a morte de Ema como recurso em sua própria defesa. E nos seus discursos dizia a máxima: "Ema sou eu", reforçando assim a ideia do autor/personagem.
"Há muitos mistérios entre o céu e a terra do que diz nossa vã  filosofia", disse o sábio dramaturgo inglês William Shakespeare, inventor do humano. E é nessas palavras que se inspirou Clarice Lispector, peço desculpa ao leitor por usar tanto a Clarice, mas ela disse, desculpe ai também a rima, voltamos ao que disse Clarice, ops, o texto insiste! Vou direto, Lispector registrou: "Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento". Talvez por ser tão descomplicada Lispector era vista como inatingível e, aqueles olhos verdes marítimos assustavam ,é verdade, justamente em razão de muito silêncio e de sua incrível lucidez.
Diante do que foi exposto aqui creio que a possibilidade de ser autor, de ser humano retratado nas personagens é o que faz da escrita a grande arte. E fazer análises sobre a vida ou a obra de autores é mesclar a vida e a arte, pois é algo inconcebível de ser visto separadamente.

domingo, 15 de maio de 2011

"DON'T LET ME BE MISUNDERSTOOD"

Esta canção nasceu em 1964 escrita por Benjamin, Caldwell e Marcus, na voz e piano Nina Simone, o estilo soul jazz ficou imortalizado no disco Broadway Blues Ballads.  
Em seguida a banda The Animals regravou o single  no estilo rock. Em 1977 sugiria uma nova versão, nova em muitos sentidos, pois o grupo Santa Esmeralda com sua performance latina, cheia de salsa, com arranjos em flamenco e um jogo de cintura ao sabor da disco fez o hit saltar para o topo da Bilboard e lá ficar por muito tempo. Mas não pensem que a versão latina foi esquecida, assim que Quentin Tarantino jogou nas telas, em 2003, Kill Bill Vol.1, lá estava Dont´n Let Me Be Misunderstood. A música teve várias versões na voz de Joe Cocker, Cyndi Lauper, Elvis Costello, The Moody Blues, No Mercy, The Killers e tantos outros.
Fico aqui com Nina Simone sem legenda, as imagens falam por si.




E divirta-se com Santa Esmeralda, pois Quentin Tarantino tem bom repertório sempre! E um retrô é bom demais...



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lavoura Arcaica


Um livro polêmico e sutilmente apimentado pela eterna dúvida entre o corpo e a alma, Lavoura Arcaica, romance de Raduan Nassar, publicado pela Companhia das Letras, 1975, revela as verdades e conflitos humanos através das personagens André e Ana, irmãos, protagonistas deste romance.
O texto é narrado em primeira pessoa por André ao longo das 196 páginas, divididos em trinta capítulos e dois subtítulos: A Partida e O Retorno, adornados com epígrafes de Jorge de Lima e do Alcorão.
Raduan Nassar é controverso, ao longo de sua escrita literária estão, além do romance Lavoura Arcaica, a novela Um Copo de Cólera (1978) e o livro de contos Menina a Caminho (1997), todos aclamados com grande êxito literário. O autor, nascido em São Paulo, de origem libanesa, cursou Letras, Direito e Filosofia, atuando em diversas atividades. Mas, é na literatura que Nassar é lembrado.
Lavoura Arcaica não é só prestigiado no Brasil, já que ganhou um Jabuti e um prêmio da Academia Brasileira de Letras, mas também na Espanha e na França. Infelizmente o autor desistiu da literatura e escondeu-se na figura de homem do campo
Raduan Nassar faz da linguagem do romance o elo de ligação entre uma narrativa pesada, conturbada, conflitante, mas cheia de lirismo, sensibilidade ao tratar de temas como a eterna luta entre a liberdade e a tradição de costumes.
O romance Lavoura Arcaica estreou no cinema com o título original do livro em 2001, pelo roteirista, diretor e produtor Luiz Fernando Carvalho que define o filme, " é para aqueles que têm feridas na alma e esses vão se reconhecer ali". Feito um comparativo do filme ao romance, nada deixou a desejar, uma vez que o autor soube captar a essência e trajetória intimista das personagens. Usou belíssima fotografia e não fugiu ao texto original. Fica aqui uma das cenas do filme...Imperdível!

Se Raduan Nassar refugiou-se em suas lavouras, ou foge ao cotidiano literário, isso é algo que só a alma do autor sabe ou tenta entender. Para nós fica em Lavoura Arcaica, uma obra prima, um clássico da prosa em que a linguagem alcança lugares inexplorados da nossa mente em que o psicológico transcende ao lógico!