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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vejo Conchas


,... o mar
Há fre-ne-ci-da-de na cidade.
A cidade é frenética.

O mar..., Chuá-á-á
Amar o mar é igual ao
Mar de amor.

Riquezas sólidas, o mar se esvai.
Conchas...de retalhos, amores retalhados.
Verde, azul, verdeazular, venhamar...

As estrelas, o céu e terra
Conchas...são casas sólidas jogadas
ao Deus dará da vida.

A água é que é salgada, e eu peixe desamparado,
Amparado nas entranhas de
um peixe Maior.

Eu, peixe assustado com meus olhos
arregalados de medo sem poder fechar.
Eu, peixe desfalecendo,

Necessitado das conchas sólidas para sobreviver
Eu, o peixe incapaz, procuro abrigo no peixe Maior.

Enfim, morro.

Sandra Puff

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aniversário de Sylvia Plath


Sylvia Plath  - 27 de outubro de 1932 

Hoje seria mais um aniversário da Lady Lazarus, da mulher que renasceu, multiplicou-se em outras, se multifacetou, se pluralizou na vida e nas obras. Salve!



Lady Lazarus*

Tentei outra vez.
Um ano em cada dez
Eu dou um jeito -

Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilha como abajur nazista, [Bright as a Nazi lampshade]**

Meu pé direito
Peso de papel,
Meu rosto inexpressivo
Linho judeu. [Jew linen]***


Dispa o pano
Oh, meu inimigo.
Eu te aterrorizo? -

O nariz, as covas dos olhos, a dentadura toda?
O hálito amargo
Desaparece num dia.

Em muito breve a carne,
Que a caverna carcomeu vai estar
Pra casa, em mim.

E eu uma mulher sempre sorrindo.
Tenho apenas trinta anos.
E como o gato, nove vidas para morrer.

Esta é a Número Três.
Que besteira
Aniquilar-se a cada década.

Lady Lazarus ( 2 )

Um milhão de filamentos.
A multidão, comendo amendoins,
Se aglomera para ver

Desenfaixarem minhas mãos e meus pés -
O grande striptease.
Senhoras e senhores,

Eis minhas mãos,
Meus joelhos.
Posso ser só pele e osso,
No entanto sou a mesma, idêntica mulher.
Tinha dez anos na primeira vez.
Foi acidente.

Na segunda quis
Ir até o fundo e nunca mais voltar.
Oscilei, fechada

Como uma concha do mar.
Tiveram que chamar e chamar
E tirar os vermes de mim como pérolas grudentas.

Morrer
É uma arte, como tudo o mais.
Nisso sou excepcional.

Desse jeito faço parecer infernal.
Desse jeito faço parecer real.
Vão dizer que tenho vocação.

É muito fácil fazer isso numa cela.
É muito fácil fazer isso e ficar nela.
É o teatral

Lady Lazarus ( 3 )

Regresso em plena luz do sol
Ao mesmo local, ao mesmo rosto, ao mesmo grito
Aflito e brutal:

"Milagre!"
Que me deixa mal.
Há um preço

Para olhar minhas cicatrizes, há um preço
Para ouvir meu coração -
Ele bate, afinal.

E há um preço, um preço muito alto
Para cada palavra ou cada toque
Ou mancha de sangue

Ou um pedaço de meu cabelo ou de minhas roupas.
E aí, Herr Doktor.
E aí, Herr Inimigo.

Sou sua obra-prima,
Sou seu tesouro,
O bebê de ouro puro

Que se funde num grito.
Me viro e carbonizo.
Não pense que subestimo sua grande preocupação.

Cinza, cinzas -
Você fuça e atiça.
Carne, ossos, não há nada ali -

Barra de sabão,
Anel de casamento,
Obturação de ouro.

Lady Lazarus ( 4 )

Herr Deus, Herr Lúcifer,
Cuidado.
Cuidado.

Renascida das cinzas
Me levanto com meu cabelo ruivo
E devoro homens como ar.


[S.P]


*Notas: Lady Lazarus: 23-29 de outubro de 1962. Plath: "O narrador é uma mulher que possui o grande e terrível dom de renascer. O único problema é que ela tem de morrer primeiro. Ela é a Fênix, o Espírito Libertário, o que você quiser. É também uma mulher bem-sucedida, boa e honesta". Nazi lampshade,** Jew linem*** ( abajur nazista, linho judeu): além de referências a suas tentativas de suicídio, são cada vez mais presentes em sua poesia imagens do Holocausto e da sina dos judeus, aqui fundida, na pele de uma stripper, com a passagem de Lázaro, na Bíblia, ressucitado por Cristo depois de três dias morto numa cova.
Do livro Ariel, edição restaurada, 2007, págs, 201-202.[Ipsis litteris]

Sandra Puff

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Soneto à Natureza

Ao mar... onde a vista alcança.
Ao sul... tentar ver o norte.
Do vento... folhas que caem...
Do frio... em busca do calor.

Areia! Quero areia branca.
Paisagem! Quero-a verde.
Da água e do céu esse Azul.
Para este começo, não existe fim.

Na espuma deste mar...
As pedras e conchas unidas...
E os Alísios passam...

Zéfiros, Eólios...
Boreais, Constelações...
Caleidoscópios...

Sandra Puff

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cantata de Amor em Quartetos

Eram duas vozes...Nas mãos se fez flor
O olhar perdidamente achado
Inquietos olhares e gestos
Tranquilas palavras

Dos dias às horas
Da flor, um botão
Horas vagas... tic-tac
Noite...as estrelas estão pequeninas

Amor, devoção, sentimento, emoção
És meu lago profundo, porém cristalino!
E na tua profundidade mergulho
E no teu cristalino me reconheço

Cheiro das flores que abrem na noite
Exalam aromas, perfídias...
E cumprem seu papel
Quando nossas mãos trêmulas se entrelaçam

Nosso silêncio é infinito
Há hiatos e pausas
E já não sabemos mais quem somos, se
Somos as mãos ou a continuação dos dedos

E os dias são assim
Nossas bocas se calaram
Um silêncio aconteceu...
E nos teus gestos eu entendo tua linguagem!

É a importância do teu olhar
Este movimento da pálpebra
Va-ga-ro-sa-men-te cobrindo...
O segredo ocular!

Agora, […]
É o olhar luminoso,
Que adormecia em eclipse total,
A ressurreição da pálpebra!

 
Poema Premiado em 2 Lugar
 Concurso Ars Litterarum 
Sandra Puff

domingo, 14 de agosto de 2011

Vejo Conchas

,... o mar
Há fre-ne-ci-da-de na cidade.
A cidade é frenética.

O mar..., Chuá-á-á
Amar o mar é igual ao
Mar de amor.

Riquezas sólidas, o mar se esvai.
Conchas...de retalhos, amores retalhados.
Verde, azul, verdeazular, venhamar...

As estrelas, o céu e terra
Conchas...são casas sólidas jogadas
ao Deus dará da vida.

A água é que é salgada, e eu peixe desamparado,
Amparado nas entranhas de
um peixe Maior.

Eu, peixe assustado com meus olhos
arregalados de medo sem poder fechar.
Eu, peixe desfalecendo,

Necessitado das conchas sólidas para sobreviver
Eu, o peixe incapaz, procuro abrigo no peixe Maior.

Enfim, morro.

Sandra Puff