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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sobre as Máscaras

Máscara - 1905 - Guache sobre Madeira
Louis Welden Hawkins

A máscara pode ser representada de duas maneiras, denota um acessório para cobrir o rosto e tem variados usos, desde os artísticos, veja-se o teatro, lúdico, já na infância as crianças fazem uso das máscaras de seus heróis preferidos, ou mais remoto, o uso de máscara nos bailes, seja nos bailes em festas privadas ou ao ar livre, como em carnavais. O tradicional carnaval de Veneza expressa bem essa arte, é uma tradição que o rosto fique coberto por belíssimas máscaras, um jogo de sedução e anonimato.
A máscara pode ser também uma denotação de proteção literal para quem a usa, como exemplo as máscaras de oxigênio.
Em muitas tribos a máscara passa a ser uma representação para o rito de passagem entre a vida e a morte. Há muitas representações conotativas para a máscara, seja usada como um disfarce, e até mesmo como um símbolo de identificação, uma representante de deuses, espíritos da natureza, seres míticos, sobrenaturais ou animalescas. É o rito de transfigurações, o encobrimento da real identidade.
Os latinos entendiam a palavra máscara como uma derivação de mascus ou masca, que tinha o significado de fantasma, já na cultura árabe a maskharah entendia-se por homem disfarçado ou o palhaço. Não é de se estranhar que o palhaço se disfarça e cobre seu rosto. Talvez, seja dessa natureza que a máscara deixa de ser um simples adereço e torna-se um significante enganoso.
Nos dias atuais percebemos em quadrinhos ou em filmes de heróis ou vilões que a máscara não tem só a função de encobrir uma identidade e sim transformar a vida de quem as usa. Explicitamos que cada super- herói usa uma máscara, ou seja, assim que a coloca ele se torna um outro, que não é o mesmo, torna-se um diferente e passa a ter poderes e sua identidade resguardada. Outro é o fantasma da ópera, que por vários motivos físicos e existenciais torna-se um ser protegido pela máscara. Tomamos como exemplo bem atual os internautas que usam avatares para que não se descubra quem realmente o são. Dessa forma, esse objeto, um mero adereço, é transformador, seja de caráter enganoso ou que resguarda a quem o usa.
De qualquer forma, o uso da máscara tem por objetivo alguma proteção, disfarce, intencionalidade de acobertamento ou mesmo o apagamento do real. Pode-se dizer um abando de si mesmo. “O afastamento de si mesmo, o qual sempre acaba por confirmar o seu próprio eu, é igualmente perceptível no afastamento dos outros que não a si próprio, quando parece que estes são ao mesmo tempo indesejáveis e semelhantes”.1

Sandra Puff

REFERÊNCIAS
1 ROSSET, Clément. O real e seu duplo: ensaio sobre a ilusão. Op. cit., 1976, p. 69.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os 90 Anos da Semana de Arte Moderna


Capa do catálogo da Semana de Arte Moderna por Di Cavalcanti

Vinte anos após o acontecimento da Semana de Arte Moderna de 22, Mário de Andrade afirmou em uma conferência que, "O Modernismo, no Brasil, foi uma ruptura, foi um abandono de princípios e de técnicas consequentes, foi uma revolta contra o que era a Inteligência nacional"1
E foi, não foi?2
Essa ruptura que Andrade cita quebra de vez com a universalização da cultura importada. É certo que os campos das artes culturais e literárias, uma década antes, já se esboçavam a traços finos pelos pré-modernistas, porém ainda permanecia o academicismo e muito apego ao tradicional clássico, diga-se ao Parnasianismo com seus objetivismos puristas, seus mitos greco-romanos, o apreço aos versos regulares ao sabor da forma fixa e métricas decassílabas. O descrever da linguagem formal e rigorosa, ou seja, era o praticar da arte pela arte. Mas, querido leitor, não leia pelo modo de uma crítica isolada minha, são os fatos, ao Parnasianismo, nem ao digníssimo Olavo Bilac3, aliás, eu gosto muito do poema Ouvir Estrelas, “Ora ( direis) ouvir estrelas!Certo/ Perdestes o senso!” E eu vos direi, no entanto,/ Que, para ouvi-las, muita vez desperto/ E abro as janelas, pálido de espanto...”4 Ah!, eu adoro!, mas voltemos à Semana de Arte Moderna, que ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, ou seja, há 90 anos, foi o que se pode dizer do antes e depois, um divisor que não provocara mudanças imediatas, pois acontecimentos importantes já se iniciavam antes, mas sim o ápice dessas mudanças que, vista isoladamente, não deu-se muito crédito a ela, nem mesmo os jornais daquela época lhe dedicaram muitas colunas. A Semana era vista como um desejo de liberdade dos artistas e escritores.
E, ao decorrer da história a Semana ganha uma enorme notoriedade, uma vez que fez a junção dos artistas de São Paulo e Rio de Janeiro e estes desmistificaram a cultura brasileira, por assim dizer, abriram as cortinas de várias tendências e renovações que estavam acontecendo no cenário brasileiro, o qual fez outros artistas de cidades variadas que estavam à margem juntarem suas forças, ou seja, toda forma de arte. Foi nesse momento que a Semana de Arte Moderna marca para sempre as páginas da Literatura Brasileira, pois essa junção de vários artistas em diversas modalidades como autores, músicos, arquitetos, os escultores, os grupos de dança conseguem de forma sólida trocar experiências, técnicas e muitas ideias, o que contribuiu de vez para publicarem revistas voltadas à arte em geral, manifestos foram publicados por grande grupo de intelectuais da época, enfim, permitiu-se que a cultura brasileira fosse ampliada a diversos departamentos e, o melhor, nossa cultura ganhou tal força que não ficou apenas na década de 20 e sim permanecesse na atualidade, nada a dever com o que se fazia na Europa. E não só isso, foi o momento decisivo para que nossa cultura atravessasse décadas e permanecesse tão atual quanto ela é hoje.


Sandra Puff


REFERÊNCIAS
1Conferência comemorativa dos 20 anos da Semana de Arte Moderna, 1942.
2Uma referência ao Poema, “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, declamado por Ronald de Carvalho. O público gritava em uma só voz durante a declamação: “Foi, não foi”, o que faz um ritmo de imitação ao barulho do sapo tanoeiro.
3Olavo Bilac sempre fora criticado demasiadamente pelos Modernistas.
4Bilac, Olavo. Poesia. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1957. p.47-8.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sylvia Plath: humanamente mítica



Simples assim!, Complexa demais.  A poeta/escritora estadunidense Sylvia Plath completaria 80 anos não fosse sua trágica morte aos 30 anos. [Sylvia Plath, com todo meu respeito, foi a autora de minha dissertação de mestrado]
Relevantes são as obras que Sylvia deixou, conhecida como poeta, longa é a lista de sua escrita. A bibliografia de Sylvia Plath nos impressiona pelo fato de ter lançado dois livros em vida, The Collossus and Other Poems, (1960) e The Bell Jar, (1963) único romance, pouco antes do trágico fator a ser entendido. Os outros livros foram editados por Ted Hughes, poeta e marido de Sylvia.
A história trágica não era ficção, um romance lançado e a blondgirl, starlet agora, jazia em uma sala fria à espera das especulações que se formariam em torno da pessoa e da obra, mais da pessoa. Era a escrita plathiana a nos rondar. Uma espécie de escritos fantasmagóricos. Em torno das especulações, Sylvia, agora é morta, ganhou um Pulitzer póstumo, fato raro. Não só The Bell Jar, mas todos os escritos de Sylvia passavam, agora, aos mais vendidos, e mesmo que o romance encabeçasse a lista dos mais vendidos por um ano, as feministas tomaram as feridas da escritora transformando-a em um ícone martirizado ao ser retalhada pelos homens, em especial, Ted Hughes. Outra parte dos leitores do casal já declaravam que Ted havia tido sua vida destroçada por uma mulher desequilibrada e teria de suportar o violento ciúme de Sylvia, a americana superficial, que usava batom muito vermelho e o cabelo além de louro. Havia em Sylvia um ser sem nenhum senso de realidade, diziam as idólatras de Hughes, afinal ele também era escritor e havia conquistado seu lugar ao sol, sua fatia da legião de seus adoradores o defendiam e achavam que Sylvia poderia escrever muito bem mas não havia existência, tudo não passava de aparências.
Sylvia tornou-se famosa, assim como era sua ambição em vida, o montante de escritos nos dizem o quanto era determinada, numa disciplina diária  sobre vários temas. Tanto na poesia quanto na narrativa somam-se o esforço e qualidade na escrita, a força moral na recusa de muitos editores e as especulações que faziam sobre sua personalidade: louca, desequilibrada, ciumenta, extremista, histérica, autodestrutiva, isolada. O fato é que Sylvia tinha sua verve literária. O desejo de compartilhar suas experiências, angústias com o público somente os escritores capazes, profissionais, corajosos o fazem, pois sempre há as críticas, sejam as construtivas ou as que denigrem.


Assim que The Bell Jar debutou em janeiro de 1963, o uso do pseudônimo Victoria Lucas fez com que a crítica não associasse o romance à Sylvia Plath. O editor dos textos de Plath nos Estados Unidos não estava muito interessado na história, achava que era demasiado pessoal ou até um estudo de caso e as críticas não foram tão positivas quanto ela esperava. Sylvia achava que seu romance era mais um livro de boas vendas. Não foi bem assim, recebeu boas críticas, embora a maioria das críticas positivas viessem no post-mortem. Tarde demais!, mas assim como ousava  chamar-se, "A Lady Lazarus"  ressurgiu tão nova e tão boa em seus livros para a posteridade. 
Ah!, Sylvia era assim, tão simples!, mítica e humanamente complexa!

"Mesmo sob chamas ferozes pode-se plantar o Lótus Dourado" Bhagavad Gita [Epitáfio de SP]
Sylvia Plath - * 27/10/1932 - 11/02/1963



P.S. Quem quiser saber mais pode assistir ao filme: Sylvia, Paixão além das palavras.

Sandra Puff

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Feliz Natal!





Amigos!
Desejo que o Natal seja de Harmonia, Alegria, Amor, Luz, Reflexão...
Que tenham uma Ceia com Entes Queridos. Brilhos no olhar de Todos!
E que, cada um, reservado ou extrovertido, saiba que o Aniversariante está à mesa recebendo sua Oração por mais uma Renovação de Seu Nascimento!
Feliz Natal!
Feliz Ano Novo!
Boas Férias!



Sapatinhos da Dorothy

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Natal Luz e Férias em Gramado


Natal Luz

Boas Vindas aos visitantes!
Minha primeira dica de viagem para férias é da Serra Gaúcha. Aproximadamente 500 km ou 6 horas e meia separam Blumenau de Gramado-RS.
Existem rotas diferentes de acesso, como a do litoral pela BR-101, mas como é uma viagem de férias a minha rota preferida é a saída pela BR-470, passando por Pouso Redondo e Lages, em seguida a BR-116 que liga à serra gaúcha. As paisagens são lindas e inesquecíveis.
Entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul localiza-se as cidades de Lages e Vacaria, onde existe um pórtico sinalizando a divisa, ou seja, ideal para belas fotos.
Chegando em Caxias do Sul, na serra gaúcha, há vários quiosques com petiscos de queijos e salames, além de deliciosos sucos de uvas, vinhos e sanduíches. Muitas vinícolas já aparecem na serra também.
As cidades de Nova Petrópolis, Gramado e Canela são nossos alvos para ancorarmos e passar as férias nesta viagem.


São cidades lindas, limpas, projetadas e preparadas para o turismo. Muita natureza com organização. Você chega a essas cidades conhecidas pela rota turística, rota das hortências, mas não se sente invadido nem poluído como em uma metrópole. As cidades estão localizadas em meio a muita vegetação, e Canela é o exemplo disso, ou seja, explora o turismo pelo lado de sua esplendorosa natureza.


Todas as cidades estão preparadas com uma estrutura incrível para receber os turistas. Os hotéis são de ótima qualidade, assim como restaurantes e cafés.
Uma dica, se você quer passar as férias de dezembro e janeiro na serra gaúcha, programe-se desde a metade do ano com reservas em hotéis.
Nova Petrópolis possui um comércio rico em vestuário, com bons preços, e também é conhecida pelo seu artesanato. Uma cidade muito agradável e tranquila para compras.
Gramado é o ponto alto do turismo, muito comércio, muitos restaurantes, museus, e seus pontos turísticos, que não são poucos. Posso citar a casa e Fábrica do Papai-Noel, o Mini-Mundo, Alpen Park o Lago Negro, entre outros lugares lindos!


Os Museus do Perfume, de Cera, do Chocolate, do Automóvel, do Piano e também  o Medieval. Uma das grandes atrações é o Cinema de Gramado, onde ocorre o Festival de Cinema de Gramado com a entrega do Kikito, fora as paisagens que parecem de cartão postal.



Canela é a cidade do turismo com natureza, onde o parque da Cascata do Caracol é um lugar imperdível para se visitar. O centro da cidade também é aconchegante e a Catedral de Pedra destaca-se com a beleza de um legítimo ponto turístico.


Outra dica, na rodovia entre Gramado e Canela há uma churrascaria gaúcha que serve costela no fogo de chão, e à noite apresentam um show típico gauchesco, confira. As paisagens de Canela por si só já são o maior ponto turístico da região.
Última dica, não deixem de provar o chocolate e as deliciosas tortas na Casa da Velha Bruxa, no centro de Gramado, assim como não deixar de visitar as várias fábricas de chocolate da região.



Hummm, quem resiste, Capuccino Gelado, Waffles com sorvete?
Abraço,
Giovani Puff

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O Melhor de uma Época Hoje

Olá, Amigos!
Visitei o Blog da Neusa, http://artedaneusa.blogspot.com/, minha Amiga e havia o convite para quem quisesse aceitar fazer um Post com Produtos de até 15,00! Escolhi produtos de beleza porque estão de comum acordo em todos os Estados, dificilmente não terá um desses produtos e, a problemática, talvez, esteja no preço dos mesmos que pode variar de região.
Como eu adoro um Vintage, essa palavra francesa que derivou de um francês antigo, ou seja, em uma explicação bem superficial, contextualizava-se à safra que havia produzido um bom vinho. Foi dai que, mais tarde, refere-se a tudo de bom que marcou um período, uma década em todos os segmentos, o melhor da moda, o melhor ano de determinado vinho... Na cosmética não poderia ser diferente, ou nas Pharmácias.
Granado[Desde 1870],Phebo[1930],Farmaervas-Tracta[1940], Leite de Colónia[Desde 1960], O Boticário [1977], Elke [Grupo Nasha] e Vult [2005].
Eu adoro esses Luxinhos, e todos que postei aqui uso sempre ou descobri faz pouco tempo, comprei e estou usando e adorando!


1.Granado - Sabonete Líquido Vegetal de Glicerina Tradicional = 8,00


2.Phebo - Sabonete em Barra - "Odor de Rosas" ou "Flores da Primavera" = 2,00 [cada]

 

3.O Boticário - Esmalte Make B. Infinit Collection - "Juicy Coral" ou "Ethereal Blue", fórmula francesa. - 9,90 [cada]


4. Granado - Manteiga Emoliente Pink - 16,80 [Passou do preço, mas o cheirinho é um luxo só e funciona muito, tem óleo de castanha, karité, cupuaçú, tudo de gostoso e emoliente]


5.O Boticário - Desodorante em Creme - MA CHÉRIE - 13,90


6.Elke - Base Líquida Hidratante - Efeito Bronzeado com Filtro Solar = 9,75 [ Uso essa Base para passar nas pernas, o efeito é Super, tem Proteínas da Seda que Hidrata. Adorooo


7.Leite de Colónia = 2,88 [ vários cheirinhos]


8.Elke - Pó Solto Iluminador = 15,00 [Tem micropontos de Luz!!!, é Leve, vem Bastante na Embalagem. O único cuidado é com a própria embalagem que faz disperdiçar o produto, infelizmente.



9.Tracta - Sombras Individuais - "Dourada" e "Búzios" = 12,40 cada [tons dourado e marrom]



10.Vult - Delineador de Olhos - "Azul Turqueza Neon" e "Púrpura Neon" = 8,00 [cada, usei e muitas pessoas me perguntaram sobre o lápis, Amei!



Espero que tenham gostado...

Sandra Puff

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Narrativas Natalinas!



Ah, primeiro de dezembro, lembro de várias coisas, milhares de coisas, mas nada supera a lembrança do Natal...os Azevinhos, essa plantinha, no diminutivo porque carinhosamente, os enfeites natalinos, adoro guirlandas, principalmente, aquelas bem simplórias no bom sentido, no bom gosto, uma folhagem delicada, folhas de azevinhos, umas aqui e outras acolá, delicadamente espaçadas e para arremate os botões vermelhos como se os fossem pérolas em cor coral acentuado.
Este Natal mudamos, foi ano de trocar os enfeites, escolhemos guirlandas com ursinhos, com palha e frutas, ramos secos e pérolas, uma de contas de cristais vermelhos e verdes, mais uma pequenina de azevinhos e para arrematar escolhemos para porta interna um casal de ursinhos vestidos com roupinhas natalinas, penduramo-os lado a lado de mãozinhas unidas. Enquanto escrevo e penso no detalhe das mãozinhas unidas passam ideias e, principalmente, a coisa mais descomunal, verdade, minha mente viaja nesses assuntos nas horas mais impróprias, se bem, caríssimos, pode parecer em um primeiro momento, bobicinhas, mas eu penso, por exemplo, nos pais que escolhem nomes para os filhos em virtude do Natal, eu poderia citar vários, assim como gastei infinitos minutos enumerando imaginariamente os nomes, ai parei! Parei em Natalício!, já pensaram?, não que Natalício não seja um nome bonito, longe de mim pensar isso, mas é tão óbvio Natal[ício], seria o significado de Natal é isso?, não, não. Então passei para a próxima fase, repetir o nome Natalício até ele perder o sentido, se é que havia achado o sentido até então...., espero que você, leitor, não faça isso, mas se fez é Natal! É um bom nome para repetir. Ahhh, então era isso?
Natal in[ício] da Celebração do Nascimento de Cristo! Blém, Blém...Sino de Belém!


Sandra Puff

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Síndrome de Münchhausen




Caros,
Vejo bastante documentários, uns muito bons, outros nem tanto assim, outros maravilhosos e outros estarrecedores, destes, um chamou-me muito a atenção, procurei, lógico, pesquisei sobre, até porque já havia ouvido falar sobre o Barão de Münchhausen na Literatura, de Rudolph Erich Raspe, 1758, como mais um personagem louco, imaginativo, etc, etc, e eis que me deparo com um caso alarmante que todos os anos faz centenas de vítmas e, geralmente, o agressor é a mãe. Fica difícil identificar esses casos, e isso é um trabalho árduo, levam meses, anos...Há a necessidade de Equipe Super Preparada, porém, a divulgação, o conhecimento, creio eu, começam a dar Voz aos que, literalmente, não as tem.
Este texto foi retirado do link abaixo, tal qual como apresento aqui, salvo, onde está escrito a palavra [retirado], o qual constava nomes de substâncias usadas, resolvi retirá-las.

http://www.condeca.sp.gov.br/eventos_re/ii_forum_paulista/c5.pdf


SINDROME DE MUNCHÄUSEN POR TRANSFÊNCIA




Antonio Carlos Alves Cardoso



CONCEITO
É conceituado como sendo a “fabricação” ou “produção” de sinais ou sintomas, pelos pais ou responsáveis,na criança.
O nome da síndrome é uma referência ao Barão Hieronymus Karl Freiher Von Munchäusen, oficial da cavalaria russa no século XVIII e, que costumava contar estórias elaboradas sobre as batalhas sempre com um tom bastante fantasioso e cheio de humor.
Asher, em 1951, percebeu que pacientes procuravam hospitais de Londres, apresentando fantasiosas histórias clínicas, inclusive simulando quadros agudos. O objetivo era estar em contato com o sistema de saúde local.
Meadow, em 1977, observou que alguns pais ou responsáveis adotavam a mesma postura, porém utilizavam crianças para obter o mesmo intuito.


MANIFESTAÇÃO
Esta síndrome pode manifestar-se por meio de 3 formas:
Mentira: o acompanhante relata que a criança apresentou convulsão, vômitos, febre, que não aceita determinado leite etc.
Simulação: este método implica em simulação de sintomas. Como exemplo o acompanhante relata que a criança apresenta vômitos ou urina com sangue (sangue este adicionado, e geralmente do próprio acompanhante).
É documentado que em aproximadamente 25% das ocorrências da síndrome há simulação.
Indução: o acompanhante induz uma doença. Como exemplo administra xarope de [retirado] para induzir vômitos, anticoagulantes, sedativos etc. Observa-se que em 50% dos casos há indução dos sintomas e,em 25%, coexistem simulação e indução.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico se baseia na anamnese, exame físico e exames laboratoriais. Normalmente é difícil de ser realizado, necessitando uma equipe experiente, composta de médicos, psicólogos e assistentes sociais, já que normalmente o agressor (geralmente a mãe) tem algum relacionamento com a área médica, sendo enfermeira em 35 a 40% dos casos, assistente social em 5%. Mesmo donas de casa, um terço delas tem algum conhecimento em biologia.
Freqüentemente os pais procuram o sistema de saúde com múltiplas queixas, embora já tenham sido avaliados por vários médicos. Na história há referências sobre falta de resposta aos vários tratamentos instituídos. Os sinais e sintomas podem persistir, mesmo com a criança internada, em 75 a 95% das vezes, já que os pais permanecem ao lado dela. Esses sinais e sintomas desaparecem ou melhoram quando os pais se mantêm afastados.
O tempo médio para a realização do diagnóstico é de 3 a 6 meses.
Situações sugestivas da síndrome:
Perplexidade de médicos experientes frente ao caso.
Sinais e sintomas persistentes e recorrentes.
Sinais e sintomas que não respondem à terapia.
Sinais e sintomas que nunca aparecem na presença de testemunhas.
Mães extremamente atenciosas.
Mães com conhecimentos da área de saúde.
Entusiasmo materno com novos exames de laboratório ou novos esquemas terapêuticos.
Testes laboratoriais sem alterações.
Desaparecimento dos sinais e sintomas quando o paciente é monitorado.


INCIDÊNCIA E PROGNÓSTICO
A incidência da síndrome é difícil avaliar devido a dificuldade do diagnóstico. Meninas e meninos sofrem esse tipo de agressão na mesma proporção. A idade dos casos descritos varia de 1 mês a 21 anos, com média de 3 a 4 anos.
As queixas referentes ao sistema nervoso central são mais comuns, responsáveis por 45% do total.
Incluem convulsões, apnéia e depressão.
Os sangramentos são também queixas comuns, sendo a hematúria a mais freqüente. Outras hemorragias podem servir de queixas: melena, hematêmese, diáteses hemorrágicas e sangramentos por outros orifícios. Os sangramentos podem ser simulados, com sangue da mãe ou de outra pessoa, ou com o uso de substâncias coloridas que aparentem sangue. Podem ainda ser induzidos por administração de anticoagulantes, como a [retirado].
As queixas gastrointestinais também são habituais e observadas em aproximadamente 10% dos casos. Os vômitos podem ser induzidos mecanicamente ou com o auxílio de drogas. Algumas vezes, os vômitos podem ter aspecto fecalóide, sugerindo obstrução intestinal. Tal situação é simulada com a adição de fezes ao material do vômito. As diarréias podem ser induzidas com a administração de [retirado].
As queixas de febre são referidas em 10% das ocorrências. A elevação da temperatura pode ser por aquecimento do termômetro ou por injeção de substâncias [retirado] no paciente.
Os rashs cutâneos, observados em 10% dos casos, podem ser induzidos pela aplicação de substâncias [retirado] e tinturas na pele ou, algumas vezes, por meio de escoriações.
Estima-se que 3 a 9% das febres de etiologia indeterminada são por esta síndrome, a qual também seria responsável por casos da Síndrome da Morte Súbita Infantil.
Nos EUA estima-se que 2,7/1000 RN monitorado por apnéia o são devido à síndrome e a mortalidade pode chegar a 9%.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
1. BERKOWITZ, C.D. Pediatric abuse. Emerg. Med. Clin. North Am., v.13, p.321-41, 1995.
2. MAcGUIRE, T.L.; FELDMAN, K.W. Psychologic morbidity of children subjected to Munchausen syndrome
by proxy. Pediatrics, v.83, p.289, 1989.
3. MEADOW, R. Munchausen syndrome by proxi. The hinterland of child abuse. Lancet, v.2, p.243-5,
1977.
4. ROSEMBERG, D. Web of deceit: A literature review of Munchausen syndrome by proxy. Child Abuse
Negl., v.11, p.547, 1987.
5. ZITELLI, B.J.; SELTMAN, M.F.; SHANNON, R.M. Munchausen’s syndrome by proxy and its professional
participants. Am. J. Dis. Child., v.141, p.1099, 1987.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Robert L. Stevenson - O Médico e o Monstro


Foto: Meu Acervo


É na Londres de 1886, que Robert Louis Balfour Stevenson1 escreve uma das mais populares novelas, conhecida com o título original The Strange Case Of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, popularmente conhecida como O Médico e o Monstro, famosa narrativa sobre duplos. O tema já havia aparecido na literatura, mas é com Jekyll and Hyde que se aprofunda. O doutor Jekyll, homem elegante numa era vitoriana, rico, de ambições sociais, pessoais e científicas se depara com seu duplo à medida que tenta desenvolver um “pó” que pretende separar seu lado libidinoso, numa época em que a moral era muito rígida, e ter propensão ao prazer ou sensualidade parecia ser um terreno muito perigoso para a sua outra parte pisar, o médico virtuoso, de boa família, cientista, austero que reconhece apenas os pequenos prazeres de amizades masculinas de seu círculo social, uma pessoa tímida, recatada. Cada vez que tomava a poção Jekyll se desdobrava em outro, Mr. Hyde, conhecido pelos becos escuros e, por um pequeno reflexo de iluminação pelos empregados do Dr.Jekyll que o descrevem como um ser malformado, estranho, de olhar impiedoso e grotesco. O médico ao beber sua tão desconhecida fórmula adquire uma outra personalidade, cheio de si, ousado, violento, enganador e destemido de qualquer rótulo social. Seus prazeres se limitam ao sexo, violência desenfreada e nenhum senso moral. Ao passar os sintomas e recobrar sua verdadeira identidade o médico se defronta com variadas situações que, quase põe em xeque sua índole. Por ser único herdeiro de uma família abastada o médico vai creditando cheques às pessoas que por algum motivo foram molestadas, violentadas até que seu duplo começa a ganhar força e fazer cada vez mais perversidades.
O mal é liberado, a conduta perdida e Jekyll cada vez mais se distanciam da pessoa tímida, desejosa de prazeres que somente Mr. Hyde pode oferecer através de sua poção, ou libertado, sua dupla personalidade. Hyde chega a ser repugnante em vários sentidos, até mesmo em seu nome proveniente do inglês assume outra condição em sonoridade, [hidden] – escondido, oculto, ou seja, a outra personalidade embutida à do médico, que genialmente o autor pensa no desdobramento do nome próprio “Jekyll”, soa como [I kill] – eu mato.
Em analogia a Freud dizemos que há um conflito entre o id, como Hyde e o superego de Jekyll, e entre estes, o ego, um estreitamento de Jekyll que se reduz a um limítrofe ínfimo.
De todo há uma enorme necessidade de fazer concessões ao mal, porém é um caminho perigoso e contrário aos pensamentos do médico, não pode ser revertido. O mal adquire forças, ganha terreno, a cada instante se torna o duplo o mais poderoso, aniquilador, usurpador da identidade do doutor Jekyll. E a cada dia que passa Hyde se torna vigoroso, e Jekyll condenado a sua pálida imagem degenerada pela sua bipartição moral. O médico liberou a força em seu estado mais bruto que abrigava em si, porém, não separado. E porque se tornou forte e ciente de sua condição, Hyde chega ao ponto de modificar a fórmula feita por seu refém, agora, o doutor Jekyll. Não podemos deixar de fazer algumas considerações. O doutor Jekyll vê em Hyde sua fissura na alma, um grande avanço na medicina e na cura para seu próprio adoecer. O médico, em princípio, realizou seus desejos mundanos, incapazes em seu estado antes do pó. Havia uma certa realização pessoal nisso tudo, algo que jamais foi capaz de fazer enquanto o honrado médico.
O outro como segunda personalidade, o Dr.Henry Jekyll ciente da dualidade de sua própria natureza, em que coexistiam o bem e o mal, fascinado pela ideia das vantagens que teria, caso estas duas personalidades pudessem aparecer distintamente sob o uso da fórmula cria para si uma personalidade à parte, portadora de todos os seus maus instintos. E sobre a poção ou fórmula, uma vez que Stevenson não nomeia componentes na narrativa, Dr. Henry Jekyll relata: “Eu sabia, desde o primeiro instante da existência dessa nova vida, que eu era mais perverso, dez vezes mais perverso, um escravo de minha maldade original. Essa poção, naquele momento, me animou e agradou como se fosse vinho”.2 É fato, que na época em que o romance foi escrito já havia uma grande preocupação com o uso de drogas, hoje, consideradas ilícitas. Assim como Jekyll se torna um dependente da poção fez-se um paralelo assustador com os viciados em ópio e derivados. Tudo na narrativa de Stevenson é duplo, até mesmo a preocupação entre a mente o e corpo, O Médico e o Monstro é um avant garde ao se tratar das pesquisas científicas que começavam a ser feitas na sondagem da mente humana. Foi até mesmo uma antecipação aos estudos da análise dos impulsos inconscientes feitos por Freud
Stevenson* escreveu essa novela, literalmente, sob o aspecto do duplo, construiu as personagens seguindo uma linha de raciocínio dual, tomou como exemplo seu pai, Thomas, para ser o Dr. Henry Jekyll, homem honrado e a ele próprio, como filho rebelde e conturbado a nomear Mr. Hyde.
“Tusitala”, o contador de histórias, como era chamado pelos primitivos de Samoa, um dos arquipélagos do Pacífico Sul, onde veio a morar fugindo do clima frio que afetava seus pulmões, tuberculose, porém morre precocemente de um acidente cerebral. Era fascinado por um senhor chamado Deacon Brodie, que durante o dia era um exímio trabalhador, marceneiro e a noite, um ladrão, o escritor percebeu essa dualidade no homem, que não bastasse a fascinação, Stevenson comprou um armário feito por Brodie.[olha ai a observação cirúrgica do autor nas pessoas do dia a dia, até para compor uma personagem ou então por puro gosto pessoal, um acolhimento de alguma característica para si, no caso, um mobiliário feito por uma pessoa de índole duvidosa, mas que para Stevenson tinha um certo valor].

Tusitala  em Samoa onde passou a morar.
No decorrer da narrativa todo um dualismo construído dentro do cenário velho em contraste com o novo, ao contrariar a moral de seus pais, o jovem Stevenson frequenta a noite na antiga cidade velha e decadente de Edimburgo, onde nasceu, e muitas vezes como Jekyll, adotava uma identidade falsa, ou um pseudônimo, ou até mesmo as máscaras simbólicas do encobrimento identitário, e circulava por esse mundo mal-afamado. Por outro lado, foi na cidade nova que Stevenson cresceu, e a diferença entre as duas cidades, evocou, no escritor a ideia de divisão entre o mundo de Jekyll e Hyde.
Há todo um contexto dualístico em O Médico e o Monstro, o bem x mal; ciência x dogmas; razão x emoção; cura x doença; matéria x psique; criador x criatura; sistema figurativo: Dr. Jekyll, hipócrita e libertador do monstro x Mr. Hyde, é a própria essência da crueldade, do mal e do egoísmo.
É nesse contexto dual que encontramos a divindade de Jano: um deus de duas caras. Relata Dr. Henry Jekyll:
O estudo a que dediquei minha vida, me fez concluir que o homem é duplo. Ele traz em si, ao mesmo tempo, o gosto de fazer o bem e o prazer de fazer o mal. Eu vejo em mim a inclinação para apiedar-me dos outros e para querer aliviar suas desgraças, mas observei também que às vezes eu aprecio o sofrimento que os aflige. Somos como aquelas máscaras de Jano, que mostram um rosto angelical de um lado, e outro, demoníaco, atrás. O diabo se irrita com o anjo, e o anjo tem vergonha do diabo, e nossa pobre alma é puxada de um lado para outro. O flagelo da humanidade está no fato de que esses dois antagonistas estão ligados um ao outro como irmãos siameses! Essa reflexão orientou toda a minha pesquisa científica. Para aliviar nossa alma, pensava comigo mesmo, não se poderia dividir nossa personalidade em duas? De um lado, nossa consciência inclinada a fazer o mal a ele se entregaria sem o menor escrúpulo; de outro, nossa consciência dedicada a fazer o bem só com este se ocuparia. A pessoa má em nós não nos trataria remorsos; a pessoa boa não encontraria obstáculos em seu caminho para a perfeição. Cada um desses dois seres poderia seguir o seu caminho, livre e desimpedido. Mas como dissociar um do outro? Minhas experiências em laboratório me mostravam que o corpo não passa de uma emanação física dos poderes de nossa alma.3

Com a descoberta da poção, Jekyll se submete à experiência, após vários processos de intensos sofrimentos físicos, Jekyll sente-se bem. O alívio da dor, o mascaramento do sofrimento e enfim, o êxtase como o de um adicto4 na hora do rush5 em busca de seu milagre momentâneo. Henry passa por uma metamorfose e observa-se em frente ao seu denunciador, sua testemunha, o espelho, até então Jekyll nunca teve um espelho em seu laboratório. Foi trazido, unicamente, como o objetivo de mirar-se enquanto acontecia sua transformação, vejamos:
Percebi então que me embaraçava com as minhas roupas e, indo até o espelho, vi refletido o meu duplo mau: eu o batizei de Edward Hyde. Se ele era franzino e muito mais jovem do que o Dr. Jekyll, era porque meus poderes no mal eram poucos desenvolvidos; até aquele dia, eles tinham sido reprimidos. Isso refletia em sua forma física, carnal. [...] E foi assim que adquiri o hábito de me libertar, em algumas noites, de toda restrição moral, na pele de Edward Hyde. [...] Assim de tanto libertar sua monstruosa personalidade, Hyde ia ficando mais forte em mim. Era preciso, na manhã seguinte a essas noitadas, aumentar as doses que me faziam voltar à minha primeira identidade.6

Todas as tentativas de desistir de Hyde foram em vão, era como se o médico precisasse de sua outra personalidade, a segunda, como dizia ele, embora, e necessário fosse, certamente, acabaria com aquele sinistro vício no momento que quisesse, mas, no entanto, era preciso continuar a levar a vida daquele jeito que Edward Hyde o satisfazia. Jekyll deu plenos poderes ao seu duplo e não encontrou o caminho de volta. Todo momento que se faz concessões ao duplo vê-se que aos poucos, nesse caso, se tornou um usurpador da primeira identidade. Hyde se solidifica e Jekyll um mero refém de um duplo que vive e age em Jekyll da forma que bem entende e por se sentir tão bem em seu duplo. Dr. Jekyll protege Hyde, pois está a proteger seu corpo, sua aparência. Após tantos momentos de usurpação de identidade o Dr. Henry Jekyll chega a uma conclusão: “eu era o médico e o monstro. [...] eu e meu duplo”7. Após presenciar que Hyde já havia tomado conta de tudo, nova poção fora criada, modificada, não havia mais retorno do médico dedicado, recluso e sim um corpo que desfalecia a cada dia Jekyll opta por matar seu duplo, porém este ato lhe custaria sua vida. A apropriação indevida de uma segunda personalidade que habitara, agora e quanto o quisesse, seu corpo e espírito o levaram a escolher a morte pelo fato de estar cansado, com o corpo moído cada vez que retornava a ser Jekyll, porém uma pincelada de narcisismo floreia o quadro mortuário do médico. Já se tornara insuportável ver-se ao espelho, seu corpo desgastado por tantas doses da poção, outras mais para desfazer a segunda personalidade, havia tornado um ciclo vicioso que o médico em um lampejo de punição decide o fim dos dois. “Termino meu relato sob a influência dos restos do pó. Este é, portanto, a última vez que Henry Jekyll pode pensar seus próprios pensamentos ou ver seu próprio rosto no espelho”.8


Sandra Puff
*Stevenson junto com Edgar Allan Poe, meus autores preferidos.

REFERÊNCIAS
1 STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Tradução de José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar e Roberta Sartori . São Paulo: Ática, 2002.
2 SHELLEY, Mary; STOKER, Bram; STEVENSON, Robert Louis. Frankenstein, Drácula, O Médico e o Monstro. Tradução de Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 684.
3 STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Op. cit., 2002, p.49-50.
4 Adicto: “Viciado”, comumente termo usado pela psicologia e psiquiatria aos usuários de drogas.
5 Rush: “Vontade, fissura” que o adicto sente pela droga.
6 STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Ibid., 2002, p. 50.
7 STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Ibid., 2002, p. 55.
8 STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Ibid., 2002, p. 59.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Revolutionary Road - Foi Apenas um Sonho


Ontem mesmo eu passava os olhos em uma revista e chamou-me atenção uma entrevista perguntando o que era ser “normal”, realmente eu não sei até onde vai a normalidade, o melhor seria perguntar onde começa a “anormalidade”, enquanto a ciência ferve e mexe um frasco de erlenmeyer surgem “novos” conceitos que já eram velhos, então o negócio começa a esquentar e muitos cientistas queimam os dedos e as revistas científicas começam a lançar tudo quanto é artigo científico. É o tal negócio, dos erros e acertos, erros e acertos e isso me fez divagar sobre um filme que vi faz um tempinho, mas não custa registrar e, também, porque no elenco está minha diva [sem que outra a ultrapasse] como protagonista.

Frascos de Erlenmeyer

Na década de 50, se o sujeito sofresse de “depressão” – chamaremos assim, era o mesmo que ser rotulado de louco. O mais intrigante é que a medicina psiquiatra ainda não diferenciava as várias doenças mentais, não havia uma nomenclatura para os diversos distúrbios da mente e o paciente em geral era “retirado de cena”, não como uma forma de tratamento e sim como um "jeito" de proteger a sociedade deste doente.1
Nessa mesma década houve o retorno da ideia do american way of life, o qual já havia sido explorado décadas antes. Infelizmente muitas coisas estavam fora do lugar na sociedade e, dessa forma, era transferido às pessoas que o jeito americano de viver era o mais importante, infalível, era isso que queriam mostrar, vender, mas não era bem assim. Havia um desconforto entre os indivíduos, uma desilusão que alguns não conseguiam superar.
Esse exemplo do modus vivendus americano foi mostrado no filme Revolutionary Road2, do diretor Sam Mendes, com Kate Winslet e Leonardo DiCaprio como protagonistas. Se formos desdobrar o título do filme chegamos ao "xis" da questão. O casal mora na rua da “revolução”, bem sugestivo, mas que revolução é essa?


A narrativa começa com um encontro entre as personagens de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio, ambos sonham, tem perspectivas para o futuro. Logo se casam, chegam os filhos, em uma época onde a pílula anticoncepcional ainda não existia. A personagem de Kate sonha em ir para Paris, pois só ela sabe que seus sonhos foram por água abaixo nessa relação hipocritamente estável e com um filho atrás do outro e, por esse motivo ela sente as dores da alma, [ainda não classificadas as doenças mentais]. O marido não percebe que sua esposa está à beira de um precipício e a saída, não entende ele, é fazer essa viagem, mudar de ares.

Quando chegam a um acordo, compram passagens, fazem planos, avisam os vizinhos e amigos sobre o novo destino, o que para os mesmos parece ser uma loucura, pois este é o modo de vida americano, trocar para quê? Kate encontra-se grávida por mais uma vez e o marido decide cancelar a viagem e se conformar com a posição em que estão, ou seja, entram na fôrma estabelecida por aquela sociedade, ou seja, se conformam, viram moldes de docinhos, uns iguais aos outros, [produtinhos em séries].
A vizinha bisbilhoteira tem um filho e vê em Kate a única pessoa que poderia conversar com o mesmo, um PhD em Matemática, que por algum motivo está com problemas mentais, sendo tratado com eletrochoques num hospício. O casal aceita a visita do matemático, que em certa altura do filme convida-os para uma caminhada. No passeio ele percebe que Kate parece não fazer parte daquele local, e discretamente conta como é seu tratamento na clínica. E então, num fio de esperança pra SI, que ela, ao achar que pode se curar de sua aflição, pergunta ao matemático como ele se sente, pois aparenta estar muito bem. E ele responde que está bem, mas que os números foram todos embora de sua cabeça por causa dos eletrochoques e sente-se muito distante de sua realidade pré-clínica. E surge um silêncio entre todos. Daí pra frente, segue o filme, há vários momentos, várias perspectivas e nuances.

E a revolução? Espero que esteja na ótica de cada um ao ver sutilezas em cores profundas!


Sandra Puff



REFERÊNCIAS
1Transtornos mentais que mais tarde foram nomeados como “doença maníaco-depressiva, depressão, transtornos ciclotímico de humor, transtorno unipolar ou bipolar e em último grau a esquizofrenia estavam todos ligados à ideia da loucura, os pacientes eram restritamente negligenciados pela sociedade naquele tempo, hoje, paradoxalmente, esses transtornos, de tão comuns e populares são banalizados em geral. UMPIERRE, Vera M, Psicopatologia. Disciplina Ministrada. Curso de Psicologia. Puff, Sandra. FURB. 2008.
2 REVOLUTIONARY ROAD. Direção de Sam Mendes. 2008. No Brasil: Foi Apenas um Sonho. 2009.